Centro Cínico – quem mentiu mais na Reforma da Paranaprevidência?

Previdência pública: o debate moral abafado

Por 31 votos a 20, a Assembleia Legislativa do Paraná aprovou na quarta-feira, dia 29 de abril, o projeto de Lei do governo que altera a Paranaprevidência. A entidade administra e paga as aposentadorias dos servidores públicos efetivos da Administração Estadual, além das pensões devidas a seus dependentes. Recebem pela Paranaprevidência os aposentados e pensionistas dos três poderes do Estado (Executivo, Judiciário e Legislativo), do Ministério Público e do Tribunal de Contas.

A exemplo de praticamente todas as entidades de previdência pública dos Estados brasileiros e da União, a Paranaprevidência enfrenta desde sua origem um problema muito simples: o valor total que arrecada com as contribuições dos servidores é insuficiente para o pagamento das aposentadorias e pensões sob sua responsabilidade. Ou seja, há o chamado desequilíbrio atuarial nas contas do ente.

Há mais de um motivo para o déficit no caixa das entidades de previdência pública do país, mas o principal sempre foi a necessidade de garantir aposentadoria integral aos servidores beneficiados.

Ao contrário da aposentadoria dos trabalhadores da iniciativa privada (funcionários, donos de empresas, trabalhadores rurais, autônomos e profissionais liberais), que é paga pelo INSS e tem um valor máximo (hoje fixado em R$ 4.663,75), a aposentadoria pública foi concebida para corresponder ao salário percebido pelo servidor no cargo.

Como, em muitas situações, a capitalização das contribuições dos servidores fica aquém da aposentadoria a que fazem jus (especialmente no caso dos servidores que recebem salários mais elevados), a diferença precisa ser paga pelo Poder Público.

A medida não provocaria inquietação se os recursos do Poder Público não fossem oriundos dos tributos cobrados da população. Como a grande maioria da população não é composta por servidores públicos, os trabalhadores da iniciativa privada, na prática, acabam complementando o pagamento dos benefícios previdenciários dos servidores.

O fato deveria despertar um enorme debate moral no Brasil, mas o assunto costuma ser abafado pelos sindicatos e associações de classe de funcionários públicos, que, ao menor sinal de opinião e ação contrárias, respondem com propaganda dramática e mobilização.

Assim, a retórica classista transforma privilégios em direitos, e qualquer proposta de alteração da legislação previdenciária é desqualificada, junto com seus proponentes. Ao mesmo tempo, quando necessário à defesa do ponto de vista das entidades de classe, a leniência do serviço público permite a reunião de grande número de manifestantes, a qualquer hora do dia ou dia da semana.

Centro Cívico de Curitiba, 29 de abril de 2015 (Foto: Joka Madruga / www.terrasemmales.com.br)

Centro Cívico de Curitiba, 29 de abril de 2015 (Foto: Joka Madruga/www.terrasemmales.com.br)

FHC, Lula e Dilma, unidos para reformar a previdência pública no país

Para diminuir o sacrifício dos cofres públicos com a previdência pública, o governo federal adotou uma série de medidas nos últimos anos. A primeira ocorreu no governo Fernando Henrique Cardoso, quando o Congresso Nacional aprovou a Emenda à Constituição (EC) nº 20, em 1998. A EC nº 20/1998 autorizou a aplicação do mesmo teto do INSS às aposentadorias dos servidores públicos que ingressassem no funcionalismo público federal a partir de então, embora tenha condicionado o início da limitação no pagamento dos benefícios à criação de uma previdência pública complementar, de contribuição facultativa.

A medida entrou em vigor em 2012, quando, durante o governo Dilma, a previdência complementar prevista pela EC nº 20/1998 foi instituída pela Lei nº 12.618/2012 para os novos servidores da União.

Antes, em 2003, no governo Lula, outra Emenda à Constituição (EC nº 41/2003) promovera nova reforma da previdência ao instituir a cobrança de contribuição previdenciária para inativos e pensionistas do país que recebessem benefícios superiores ao teto do INSS (a mudança já havia sido tentada por via infraconstitucional durante o governo FHC, mas acabou rejeitada pelo Supremo Tribunal Federal).

Como o Paraná tratou do assunto

Buscando racionalizar a gestão da previdência pública estadual, o Estado do Paraná criou a Paranaprevidência em 1998.

Sob a concepção do engenheiro Renato Follador, a entidade repartiu seus recursos em dois fundos distintos. O primeiro, chamado fundo de previdência, assumiu o pagamento dos benefícios dos servidores ativos que, na data da publicação da lei instituidora da entidade (Lei nº 12.398/1998, publicada em 30 de dezembro de 1998), contavam com até 50 anos, no caso dos homens, e até 45 anos, no caso da mulheres.

O segundo, chamado fundo financeiro, assumiu o pagamento das aposentadorias dos servidores já inativos na ocasião e dos servidores que, embora em atividade, tivessem idade superior àquelas previstas para vinculação ao fundo de previdência.

Com a criação dos dois fundos, buscou-se permitir que ao menos um deles, o fundo de previdência, andasse com as próprias pernas e apresentasse equilíbrio atuarial. Como o fundo reuniria servidores mais novos, ainda não aposentados, o fundo poderia se capitalizar ao longo dos anos para, no futuro, honrar o pagamento das aposentadorias com seus próprios recursos.

Com o passar dos anos, a substituição progressiva da força ativa do Estado pelo ingresso de novos servidores acabaria por tornar o fundo de previdência o único existente na Paranaprevidência. Quando isso ocorresse, o fundo responderia por todos os benefícios pagos pela entidade. Até lá contudo, haveria tempo para capitalizá-lo ainda mais, especialmente pela adoção de outras medidas para o ingresso de recursos na Paranaprevidência, como a instituição do mesmo teto do INSS e a contribuição de inativos.

Enquanto isso, o fundo financeiro faria às vezes de uma espécie de bode expiatório da previdência no Estado. Marcado por um forte déficit, o fundo seria socorrido por aportes mensais do governo do Estado (no começo de 2015, esses aportes eram superiores a R$ 200 milhões por mês), até que o último benefício pago levasse à sua extinção.

Embora a concepção do Paranaprevidência tenha sido bastante elogiada e tenha produzido os resultados esperados em seus anos iniciais, o descompromisso posterior do Estado com a entidade e a falta de adoção de medidas necessárias ao combate do déficit da previdência acabaram comprometendo o seu sucesso.

Isso ocorreu especialmente a partir do governo Roberto Requião (2003-2010), que não apenas deixou de repassar valores devidos pelo Estado ao Paranaprevidência (em virtude de dificuldades no caixa do governo do Estado), como desrespeitou a Constituição Federal ao não instituir a cobrança previdenciária dos inativos. A conclusão foi apontada por diversos relatórios do Tribunal de Contas do Estado e noticiada fartamente pela imprensa e entidades de representação, como a insuspeita APP-Sindicato. Recentemente, o próprio engenheiro Renato Follador reforçou a afirmação em audiência na Câmara dos Deputados e em coluna publicada no jornal Gazeta do Povo.

No governo Beto Richa (2011 até os dias de hoje), a contribuição sobre inativos e pensionistas foi instituída. Também foi autorizada a extensão do mesmo teto do INSS para a aposentadoria dos novos servidores do Estado, a depender da criação de uma entidade de previdência complementar fechada de contribuição facultativa (a Lei Estadual nº 18.372/2014, publicada em 16 de dezembro de 2014, concedeu 180 dias ao governo para institui-la).

O notório e absoluto descontrole da gestão sobre as contas do Estado, contudo, levou a uma tentativa desesperada de reforma da previdência no início do ano. Sem dinheiro para pagar servidores e fornecedores, o governo encaminhou em fevereiro à Assembleia um projeto de Lei para extinguir o fundo financeiro da Paranaprevidência – e, com ele, todos os aportes mensais do governo na entidade. Todos os benefícios do Paranaprevidência passariam a ser pagos pelo fundo previdenciário.

O resultado da alteração era previsível: sobrecarregado com novas despesas, o fundo de previdência não só seria incapaz de pagar as novas aposentadorias, como deixaria de custear os benefícios para o qual fora criado.

Revoltados com o envio do projeto de lei à Assembleia (que ainda incluía originariamente a supressão de direitos remuneratórios da maior categoria de servidores do Estado, a dos professores), manifestantes invadiram o plenário da Casa Legislativa no dia 10 de fevereiro para evitar a votação.

Insistindo na aprovação do projeto, o governo do Estado reenviou os deputados da base aliada ao prédio da Assembleia Legislativa em um camburão, produzindo uma das mais patéticas cenas da história do Estado. Houve nova invasão da Assembleia, e o projeto foi definitivamente retirado de pauta.

Reforma da previdência:

Previdência pública no país: o debate moral abafado

Quem mentiu mais no Centro Cívico em 29 de abril?

Foi nesse cenário de sacrifício de recursos do erário com a previdência pública, crise financeira nos cofres do Estado, crise moral no Palácio Iguaçu e na Assembleia Legislativa e forte oposição dos servidores públicos que o governo levou à votação no último dia 29 de abril um novo projeto de Lei para reformar a Paranaprevidência.

O projeto assumiu o nº 252/2015 e, embora tenha deixado de propor a extinção do fundo financeiro, buscou transferir ao fundo de previdência a responsabilidade pelo pagamento de 33.556 benefícios então custeados pelo primeiro fundo.

De acordo com cálculos do próprio governo, a medida isentaria o Poder Executivo da necessidade de realizar aportes mensais de R$ 142,5 milhões no fundo financeiro, o que produziria uma economia anual de aproximadamente R$ 1,5 bilhão ao cofres públicos. O dinheiro, certamente, seria empregado para salvar o combalido caixa do Poder Executivo.

O que aconteceu na data da votação do projeto, dia 29 de abril, já é conhecido e passará para a história: 1- para evitar uma nova invasão da Assembleia, os Poderes Legislativo e Executivo do Estado, embasados em uma decisão judicial, cercaram a Assembleia com cerca de 3 mil policiais militares; 2- mais de 20 mil servidores públicos do Estado e outros manifestantes se reuniram no Centro Cívico para protestar contra a votação; 3- os servidores foram convocados por sindicatos, à frente deles a APP-Sindicato, que representa a categoria dos professores da rede pública; 4- políticos de oposição, liderados pelos deputados estaduais do PT e pelos senadores Roberto Requião e Gleisi Hoffmann, engrossaram com desenvoltura o coro contra o projeto.

Continuando: 5- um grupo de manifestantes tentou furar o cordão de isolamento mantido pela policia militar e invadir a Assembleia; e 6- em reação, a polícia utilizou balas de borracha, spray de pimenta e bombas de gás lacrimogênio contra os invasores e o resto da multidão, promovendo um massacre em Curitiba que resultou em mais de 200 feridos e que por pouco não se transformou em tragédia; 8- o projeto de Lei foi aprovado; e 9- as imagens do conflito rodaram o país e algumas partes do mundo, gerando enorme revolta contra o governo do Estado.

O que talvez tenha passado despercebido é que, na batalha do Centro Cívico, de todas as vítimas, a verdade talvez tenha sido a mais castigada.

Governador, deputados estaduais da base aliada, manifestantes radicais, sindicatos, políticos de oposição, todos, a seu modo, mentiram sobre o que de fato buscavam na capital do Estado.

Bancada do camburão chega à Assembleia em 12/02/2015 (Foto: Gazeta do Povo)

Bancada do camburão chega à Assembleia em 12/02/2015: quem não merece o mandato que exerce tem dificuldades para erguer a cabeça (Foto: Carolina Pompeo Grando/Gazeta do Povo)

As mentiras de cada um

Beto Richa

Hors concours no bairro curitibano que já se acostumou chamar de Centro Cínico, o governo Beto Richa se reelegeu com uma campanha milionária (só os gastos declarados totalizaram R$ 26 milhões, de acordo com dados oficiais do TSE) turbinada com muito fisiologismo – a exemplo da aliança firmada com o deputado federal Ricardo Barros, vice-líder do governo Dilma e marido da atual vice-governadora.

Na campanha, o governo mentiu explicitamente, apresentando à população a figura de um Estado que simplesmente não existia. Com a reeleição garantida, revelou-se que o Estado se encontrava quebrado, sem dinheiro sequer para pagar o funcionalismo público. Vieram então as medidas de austeridade, principalmente o aumento generalizado de tributos e os projetos de reforma da Paranaprevidência.

Ou seja, por mais que haja justificativas para alterar a previdência pública no Paraná, o atual governo não age orientado por planejamento ou questões morais, mas, sim, por uma necessidade premente de captar recursos públicos para fazer frente às suas despesas ordinárias. Afirma-se com tranquilidade, assim, que o governo também mente ao afirmar que o projeto nº 252/2015 não alterará o equilíbrio atuarial da Paranaprevidência.

Soma-se a isso o enorme desgaste da imagem do governador provocado pelas recentes denúncias de corrupção envolvendo pessoas muito próximas. O escândalo tem potencial para levar ao impeachment de Beto Richa, caso se descubra que a arrecadação de fundos para sua campanha tenha resultado em valores muito maiores do que os declarados à Justiça Eleitoral, e que as quantias tenham sido obtidas a partir de ações não republicanas. Sorte a do governador é que o Paraná não tem instituições significativamente sérias, e que a eventual punição dos culpados tende a não ocorrer.

Deputados estaduais da base aliada

Quem já fez campanha política no país, como eu, sabe muito bem qual é o fator determinante nas eleições brasileiras: dinheiro. O dinheiro não apenas permite uma maior divulgação da candidatura, como também, e principalmente, é empregado na contratação de cabos eleitorais de luxo (especialmente vereadores e líderes comunitários) e compra de votos. Depois de passar por uma profunda experiência eleitoral Paraná adentro, estimo que ao menos 30% dos votos do Estado sejam comprados, literalmente (pois é, também precisamos de melhores cidadãos…).

As eleições, em grande parte, tornaram-se uma estratégia comercial de planejamento, marketing e assédio ao “consumidor”.

A grande maioria dos deputados que atualmente integra a Assembleia Legislativa só está ali porque gastou muito dinheiro em suas campanhas, empregando valores altíssimos, que frequentemente superam em muitas vezes o montante oficialmente declarado à Justiça Eleitoral. É por isso que boa parte da Assembleia, atualmente, pode ser dividida em duas categorias: a das meninas e meninos ricos mimados, com destaque para os filhos de políticos famosos do Paraná, e a dos velhacos históricos.

É por isso, também, que o nível da mediocridade e da irresponsabilidade de nossos representantes não tem limites. O episódio do camburão é emblemático: quem não faz por merecer o mandato que exerce tem grandes dificuldades para manter a cabeça erguida, não tem compromisso com a população e orienta-se apenas pela manutenção de seus privilégios.

As duas grande bancadas da Assembleia Legislativa do Paraná: os meninos ricos mimados e os velhacos históricos (Foto: Pedro Ribeiro/ALEP)

As duas maiores categorias representadas na Assembleia Legislativa do Paraná: os meninos mimados e os velhacos históricos (Foto: Pedro Ribeiro/ALEP)

Manifestantes radicais

Há outra coisa que conheço bem na política: as manifestações de rua. Na época de estudante, participei ativamente da política acadêmica na Universidade Federal do Paraná, e, depois de formado, estive em dezenas de manifestações pelas ruas de Curitiba, especialmente no Centro Cívico.

O que posso dizer é que, em boa parte das vezes, há muitos radicais envolvidos. Os destaques ficam com os integrantes da esquerda radical – quase sempre ligados à política secundarista e universitária – e com os anarquistas. Embora os dois grupos tenham ideais distintos, seus objetivos são muito semelhantes: produzir violência para desgastar o governo que combatem (todos os governos, no caso dos anarquistas).

Vejo e revejo as cenas do início da confusão de 29 de abril e não tenho qualquer dúvida na afirmação: quem começou o confronto foram alguns manifestantes, que partiram para cima da linha de contenção formada pela polícia militar à frente da Assembleia. Muitos deles portavam escudos improvisados. Outros vestiam panos embebidos em vinagre (uma medida para tentar anular o efeito do spray de pimenta e gás lacrimogênio cuja utilização pela polícia já davam como certa). Duvido que entre eles houvesse verdadeiros professores, ou, ao menos, professores de verdade.

A tropa de choque interveio com força desproporcional e provocou o massacre que presenciamos, ao usar balas de borracha a esmo contra pessoas que protestavam pacificamente. O início da confusão, contudo, não foi provocado pela polícia.

Por conhecer muito bem as manifestações de rua, não tenho qualquer dúvida em outra afirmação: a Assembleia Legislativa do Paraná seria, de fato, invadida pelos manifestantes no último dia 29 de abril. Tem sido assim historicamente no Paraná desde a votação de um projeto de lei contrário à venda Copel durante o governo Jaime Lerner, em agosto de 2001. Em fevereiro, além disso, a Assembleia já havia sido “ocupada” (no jargão eufemístico dos manifestantes, frequentemente comprado pela imprensa) duas vezes.

A decisão judicial que autorizou o emprego de força policial no cerco da Assembleia, assim, não partiu de um exercício de adivinhação ilegal realizado pelo Poder Judiciário, mas de uma probabilidade concreta de incursão dos manifestantes no prédio da Assembleia.

Edição do Jornal do Estado de 21/08/2001: Assembleia Legislativa do Paraná vota projeto popular contra a privatização da Copel. A presença policial é grande porque, alguns dias antes, a Assembleia havia sido invadida por manifestantes contrários à privatização (apesar do resultado da votação, a Copel acabou não sendo vendida).

Sindicatos 

A absoluta maioria dos manifestantes que ocupavam o Centro Cívico no dia 29 de abril não leu e não gostou do projeto nº 252/2015. Ali estavam principalmente sob a convocação dos sindicatos dos servidores públicos, em especial da APP-Sindicato.

Também por experiência própria, aprendi outra coisa dolorosa, mas muito importante na vida: sindicatos de servidores públicos e associações de classe, em regra, têm atuação muito seletiva. Sindicatos e associações classistas movem o mundo quando o que está em jogo é a remuneração ou os benefícios de seus representados, mas não se preocupam com outras questões fundamentais do serviço público, como o combate à corrupção na esfera em que atuam ou a proteção a servidores perseguidos.

Algumas vezes, entidades de classe podem ser mais zelosas com o dinheiro próprio que o mais caricato capitalista.

Além disso, sindicatos costumam ter forte ligação com partidos de esquerda, principalmente o PT. A APP-Sindicato é exemplo acabado disso.

Assim, não se deve deixar seduzir pela retórica de sindicatos de servidores públicos. Quando um sindicato anuncia “defender o interesse público”, “proteger a democracia”, “evitar a destruição do Estado”, não dê o fato como pressuposto… Nunca.

Por fim, sindicatos são mestres na arte do drama e da propaganda. Sindicalistas já aprenderam há muito tempo que as grandes disputas políticas são vencidas menos pela justiça ou injustiça das medidas em discussão do que pelo apelo emocional e vitimização.

Tenho certeza, por exemplo, que, depois do que aconteceu no último dia 29 de abril, a consolidação da extensão do teto do INSS para o funcionalismo público no Paraná, por meio da criação da entidade de previdência complementar prevista na Lei Estadual nº 18.372/2014 – o que é inequivocamente o certo a fazer, do ponto de vista moral, constitucional e atuarial – será mais difícil. Quando o assunto voltar à tona, com ele voltarão as imagens e as palavras de ordem do dia 29 de abril, ainda que não haja relação necessária entre o motivo dos protestos e a medida.

Retórica  sindical: desconfie sempre.

Retórica sindical: desconfie sempre.

Roberto Requião, Gleisi Hoffmann e outros políticos de oposição

Há certas pessoas de que desconfio por instinto. Se estou diante de um quadro azul, por exemplo, e ouço delas que o quadro tem de fato essa cor, começo a questionar minha conclusão.

Os senadores Roberto Requião e Gleisi Hoffmann são algumas dessas pessoas. A efusiva participação dos dois nos protestos contra a reforma da Paranaprevidência, com direito à presença VIP no prédio da Assembleia no dia da votação, portanto, também merece destaque no rol dos integrantes do Centro Cínico.

Roberto Requião, como vimos acima, não apenas não poderia protestar contra a reforma na Paranaprevidência, como, na qualidade de corresponsável pela situação das finanças do Estado e pelo déficit da entidade, deveria mesmo era auxiliar Beto Richa na tentativa de aprovação da medida. A propósito, é curioso notar que, ao final de seu mandato, Requião não apenas não contribuiu para aplacar o déficit da Paranaprevidência, como deixou o cargo recebendo uma aposentadoria especial imoral paga pelos contribuintes a ex-governadores do Estado.

Gleisi Hoffmann, por sua vez, integrou os governos petistas que reformaram a previdência pública no país com a adoção de medidas muito mais drásticas do que aquela aprovada no dia 29 de abril.

Outros políticos de oposição também merecem destaque, como alguns deputados estaduais do PT que, de alguma forma, previram o que viria a acontecer no dia da votação, como se tivessem ciência prévia de alguma deliberação sobre a tentativa de invasão da Assembleia.

Gleisi, Requião e Richa: o debate político no Paraná em maus lençois

Gleisi, Requião e Richa: o debate político em maus lençóis no Paraná

O debate político que precisamos

O dia 29 de abril ficará marcado para sempre na história do Paraná pela violência desmedida empregada pela polícia militar contra manifestantes pacíficos (e outros nem tanto). Mas a menos que façamos uma grande reflexão sobre o debate público que o Estado precisa, o 29 de abril será apenas mais um dia na tradicional política paranaense, marcada pela mentira, e na qual todos os participantes, independentemente do lado ocupado, costumam jogar para a torcida e apelar para a propaganda.

Já passou da hora de exigir do atores políticos do Estado clareza, inteligência, coragem e, principalmente, honestidade em seu trabalho e na defesa de suas teses e convicções (ainda que impopulares). As medidas certamente não produzirão consenso de ações e opiniões – porque, afinal, isso é simplesmente impossível no campo da política –, mas terão por resultado um debate político decente, que busque efetivamente o bem comum, e não a simples disputa por poder.

Correção: uma versão anterior deste artigo mencionava que o Estado do Paraná ainda tentaria aprovar a extensão do teto do INSS às aposentadorias dos novos servidores públicos. A medida foi aprovada pela Assembleia no final de dezembro de 2014, pela Lei Estadual nº 18.372/2014, no chamado regime do “tratoraço”. A extensão do teto do INSS aos novos aposentados do Estado ainda não entrou em vigor, contudo, porque a entidade fechada de previdência complementar que assumirá a gestão das contribuições previdenciárias excedentes (e facultativas) dos novos servidores ainda não foi criada. 

138 thoughts on “Centro Cínico – quem mentiu mais na Reforma da Paranaprevidência?

  1. Uma política pública contaminada e doente unido com falta de informação e cansaço do descaso de nossos governantes.

    Excelente artigo. Descreve muito bem o penso desse caso que aconteceu no meu querido Paraná e o que acontece de uma forma geral no Brasil.

  2. Muito bom seu texto! Compartilho de muitas opiniões, principalmente da suspeita sobre QUALQUER afirmação de Gleisi ou de Requião. São dois dos piores elementos de nosso cenário político. A explanação histórica serviu para vermos que não há inocentes, apenas espertos e trouxas – como nós, que pagamos os impostos.

  3. Caro Romero, gostei do seu texto mas discordo em vários aspectos de seu discurso. Primeiro, a questão do teto do INSS somente seria plausível se fosse pago o FGTS, ora pois o único alento do funcionário público é a aposentadoria quando, principalmente no caso dos professores, ficam à mercê do Estado sua vida inteira, com salários inconsistentes e injustos, basta comparar seus salários com os outros que exigem ensino superior, e em caso de desligamento com o vínculo empregatício o profissional recebe apenas o equivalente a décimo-terceiro e férias proporcionais ao ano letivo: absurdo! Segundo, sua conclusão aos fatos expostos: as mentiras não são mentiras mas posturas que demonstram um descaso muito mais profundo, numerados abaixo:
    1 – A intenção do Governador Beto Richa deliberadamente apropriar-se do fundo previdenciário do Estado, que consta aproximadamente com 8 bilhões de reserva. Ou seja, legalizar a operação tampa-buraco e maquiar seus furtos à lei de responsabilidade fiscal.
    2 – Uma vez que ao menos 20 dos deputados aliados (não tenho a listagem completa das votações) foram embarcados de carona em suas coligações, deixa claro que eles farão de tudo para ficar ao lado do Governador, logo, venderão até a suas mães para não perder, além dos privilégios citados no texto, os acordos políticos e a possibilidade de reeleição.
    3 – estímulo/reação, o comando do isolamento feito pela polícia militar, a pedido da Secretaria de Segurança, gerou repressão e partiu de ilegalidade, uma vez que houve decisão judicial para que a PM desfizesse isolamento, embasado de que a ALP é casa pública e em nenhuma circunstância deve ser impedida a entrada dos cidadãos à votação. Portanto a simples presença da força contra o direito cidadão já é uma violência e violência gera violência.
    4 – Os sindicatos existem justamente para promover ações que defendam a sua categoria. É uma extensão proletária e grande organismo que permitiu mudanças entre as categorias que representam. Assim, é notória suas proximidade partidária, muito embora as mentiras pairem justamente no partido a que se estendem, ou seja, o PT.
    5 – Toda e qualquer oposição cumpre o seu dever quando não é situação: atirar pedras quando não é telhado, e em nossa política todos os telhados são de vidro.
    Portanto, creio que o que mais fere a sociedade nestas lamentáveis cenas de de horrores é a IRRESPONSABILIDADE, de todos: Um governo sem planejamento fiscal (o dinheiro público não possui valor), um povo ignorante, uma categoria iludida (no ínterim da escola existe a mesma política chinfrim e a mesma irresponsabilidade fiscal que tanto lutam contra), de um comando despreparado (colocar fardas em analfabetos funcionais é uma aberração), de sindicatos oportunistas (nunca os sindicatos tentam sentar e discutir os orçamentos com o Governo, que geralmente são ou devem ser delineados entre outubro e novembro de cada ano) e por último, políticos descomprometidos (os Senadores do Paraná e o governo federal bloquearam várias pedidos de recursos ao Estado nos últimos anos, o q e isto, é óbvio, assola unicamente a sociedade)
    Neste cenário, assim concluo, a única boa causa que fica é o grito, o repúdio e a tentativa de mudança diante de todas as calamidades entroncadas no seio desta nação medíocre (o governo é o espelho do povo). Por isso não acredito na reflexão e no debate político mas antes na necessidade de uma revolução pensada, organizada e desinteressada de sistemas sociais. Como disse Quincas Borba em sua teoria do humanitismo, a paz é a aniquilação e a guerra é a preservação da humanidade: ao vencedor, as batatas!

    • Celso Godoi Neto, fez uma luovável explanação! Contudo, poderia esclarecer o trecho em que cita: “no ínterim da escola existe a mesma política chinfrim e a mesma irresponsabilidade fiscal que tanto lutam contra”? Pergunto respeitosamente e já me desculpo por meu parco entendimento. Colo aqui inda que concordo e admiro sua posição.
      Agradecida,
      Professora Mahil

  4. Você disse que você contribui sobre o teto máximo do INSS, eu também contribuo sobre o teto máximo do INSS. Seguindo a sua lógica de ‘injustiça’, também seria injusto se nós (eu e você) tivéssemos aposentadorias maiores do que aqueles que contribuem sobre valores menores que o teto máximo, já que todos socorrem a previdência. Ou seja, já que todos os trabalhadores da iniciativa privada, na prática, complementam todas as aposentadorias do INSS do país, pois a quota patronal das empresas privadas é indiretamente paga com as receitas dessas empresas, geradas pelos produtos e serviços que todos nós consumimos, e onde também estão incluídos impostos que todos pagamos quando consumimos esses produtos e serviços. Nesse sentido, o seu texto, que fala em especial dos estatutários, me pareceu tendencioso. Tecnicamente e financeiramente é impossível resolver o que você chama de “injusto”. As únicas saídas que me ocorrem é acabar com as quotas patronais, tanto as estatutárias como as do INSS, o que elevaria e muito as alíquotas de contribuição pagas pelo contribuinte das diversas previdências para que esses sistemas se sustentassem a longo prazo de acordo com a expectativa de vida dos aposentados/pensionistas. Ou então fixar valores de contribuição para previdência iguais para todos os brasileiros de modo que todos tivessem aposentadorias de valores exatamente iguais. Isso num país onde nem os direitos essenciais de educação e saúde de qualidade, não nos são oferecidos.

  5. E o governo do Paraná insiste: “Minha decisão embora danosa é necessária”. Bem, a massa tende a esperar “dias melhores”, um certo tempo de que precisa para perdoar o seu algoz e se acomodar às mudanças “benéficas” com resignação, característica do brasileiro. Essa debilidade que faz de nós legítimos expectadores, tenderá a ser aceita pela sociedade. Entretanto, uma reação de nossa parte, está fora da conformidade, e pela logica de muitos, nem de longe pode partir de um povo em si, mas deliberada por alguém. Dado que para uma parte da nação, somos uma classe desprovida de sentido crítico. Ora, se somos expectadores de nosso destino, tudo certo, como já dito é característica nossa, mas ao reagirmos temos outros algozes? Quem somos? Apenas pessoas conduzidas? A ideia de infiltrados antes mesmo de ser uma reação em cadeia na sociedade, foi comentada por nós professoras lá na Alep, no estourar das bombas. Professores com pano enrolado na cabeça, máscara e óculos quem são? Os infiltrados. Os professores jogaram pedras, alunos também, os professores derrubaram as grades. Mas quem acredita em professor? Há quem acredite, mas isso é lá no primeiro mundo! Naquele mundo estranho onde veja só: se respeita o professor. O que não cabe em minha mente é essa insistência quase unânime de que o professor foi induzido, conduzido, pesuadido. Então a ignorância paira sobre o professor? Ele é um inocente ao ponto de se deixar levar? Ou é mal exemplo porque é baderneiro? É caríssimos, neste país temos que ser complacentes. Em nenhum momento alguém pode atinar: sim, o professor é dono de si, tem atos próprios, age por si, conspira com seus pares, é capaz de deduções, e luta. Na assembleia anterior, a APP foi notoriamente contra a continuidade da greve, mas os professores votaram a favor da continuidade, e pasmem, concluímos que precisamos de um sindicato mais atuante, que se rebele muito mais, que ouse mais, de forma pacífica, o que não foi possível por motivos já conhecidos. Essa inverdade sobre Black blocs, infiltrados, é argumento do governador, também da Revista Veja, de muitos estudiosos, virou até moda. E nesse momento todos acreditam nessa historia. E o professor? Bem …por não ser complacente ……é induzido.
    Professora, Mahil Camelo Fregolão

    • Todo mundo gosta de professor, Mahil. Não esqueço os meus, nem os esquecerei. Eu sou professor também, a propósito. E ensino meus alunos a questionarem sempre, a não aceitaram o dito como pressuposto. Não tenho dúvidas de sua honestidade de propósito, e na convicção do que sustenta. Só não concordo que as coisas tenham se passado da maneira como você diz. Black Block não é mentira, não. Não é coisa de filme. É fato (embora eu não goste do termo. Parece coisa de radical estrangeiro, e nós temos muito mais radicais aqui).
      Sobre acreditar em qual história, a visão dos professores goza hoje de absoluto predomínio na sociedade paranaense, não há o que se preocupar quanto a isso.

  6. A greve dos professores nunca foi mal planejada, sempre bem organizada , inclusive nas nossas passeatas pelas ruas da cidade. quem pode falar do massacre é quem estava lá e sentiu os horrores das bombas e tiros de balas de borrachas, o que assistimos são pedaços de gravações tendendo para um lado e para outro. os policiais tiraram nosso comando de greve arrastando o carro principal de comando, jogando sprei de pimenta no motorista. As bombas foram inicialmente para as barraquinhas de professores que estavam ali E se você realmente quiser saber sobre a Paraná previdência converse com o seu criador. Sabe onde estava o nosso querido governador na hora do massacre? assistindo tudo de camarote no terceiro andar da assembleia, junto com seus comparsas que já tinham sido muito bem pagos para votarem a favor de uma lei vergonhosa que acaba com os sonhos de muitos professores. Que adianta sonhar com um plano de carreira onde a cada ano com cursos e muito suor você vai conquistando um pouquinho mais de aumento no seu salário. e uma aposentadoria digna? você sabia que os professores são a segunda classe de trabalhadores que mais adoece no final da sua carreira? os primeiros são os profissionais da saúde, que também não estão sendo tratados dignamente, pelo amor de Deus parem de acreditar em coelhinho da páscoa e comecem a ver uma realidade onde um ditador dita as redeas não abrindo espaço para a discussão e diálogo.

  7. Penso que de tudo o que ocorreu, além dos professores, os policiais também foram vítimas, pois, foram coagidos para estarem ali.
    Exemplo disso é de policiais que foram presos e serão exonerados por deixarem ‘vazar’ na Internet que foram obrigados e como estavam sendo tratados e transportados.
    O praça está sendo rotulado como um feitor de escravos, nazistas, etc, por ações que lhe foram ordenadas, enquanto os verdadeiros culpados (deputados, secretário de segurança, governador) em entrevista se isentam jogando a culpa em quem não pode se manifestar.
    Está na hora da imprensa revelar também isso a população, ao invés de incitar a população contra os policiais que arriscam suas vidas em defesa da comunidade e que depois não tem nenhum auxílio quando necessário.
    A culpa de tudo que aconteceu é dos políticos que dizem que nos representam.

    • A polícia agia corretamente até começar a atirar nos manifestantes que já estavam dispersos, ou naqueles que nem chegaram a ir para cima da linha de contenção. Depois, a pm passou claramente do ponto, Otávio. 200 feridos é algo inaceitável.

  8. Li seu artigo e cheguei a seguinte conclusão: quem perde são os trabalhadores seja em qualquer governo ou em qualquer época.Seria ingênuo não acreditar q’ não existe outras intenções dos sindicatos além de defender os trabalhadores. E daí?!Quem é transparente, honesto não teme nada o que não é o caso do Richa e seu governo…Do meu salário durante 24 anos tem sido descontado religiosamente um montante para minha tão sonhada aposentadoria e agora prestes a realizar meu “sonho” ou pesadelo me dizem que esse direito está ameaçado por conta de um governo ou governos que se afundaram um lamaçal de propinas, corrupção vergonhosa e desvio de verbas públicas e etc e tal…Quem vai me defender?!!!Quem vai garantir minha aposentadoria até eu morrer?! È o sindicato que se apresenta?! Meio torto que seja, é o único que nos resta…O governo na sua função social jamais deveria permitir que eu tivesse esse tipo de preocupação, deveria estar agora em sala de aula, ensinando, educando, tranquilamente certa que meus benefícios conquistados com o suor do meu rosto e muito estudo estão garantidos! Me poupe, além de levar bala de borracha ainda sou taxada de massa de manobra!!!!

    • Olá, Carmen. Bom, o reconhecimento de que o sindicato tem outras intenções já é um avanço. Sobre contribuir por 24 anos, isso não é privilégio seu, né? Quantos brasileiros e brasileiras encontram-se nessa mesmíssima situação? Risco de não ter a aposentadoria paga, parece-me, não existe. O Estado tem que socorrer a previdência pública quando ela for deficitária. É isso, ou é guerra civil. Só penso que, atualmente, a guerra está sendo antecipada por motivos falsos, e quem acha que é soldado nessa batalha está sendo enganado.

  9. O mais interessante disto tudo é que os Professores que poderiam servir para esclarecer a Sociedade sobre o problema real, acabam sendo manipulados pelos sindicattos; APP, CUT, políticos aproveitadores e mau intensionados

  10. Texto muito interessante. Talvez caberia numa discussão mais ampla, incluir a questão da aposentadoria compulsória aos 70 anos para servidores.

  11. Sou professor no estado do Paraná. Vejo algumas bandeiras de partido sim. Mas dizer que somos influenciados por partidos? Ja É desconfiar demais da nossa luta. analisem também que não é apenas a APP na greve e sim as 7 universidades do estado em greve ou em paralisação em estado de greve devido aos ajustes no Paraná previdência.

    • Rui, o movimento dos professores, infelizmente, está sofrendo forte influência política, sim. Não há debate sério. É a minha opinião. Mas ninguém concorda com o massacre que ocorreu no dia 29. Uma coisa não justifica a outra.

      • Pois é, O que vejo é influência de posicionamento político e não necessariamente bandeiras partidárias, as bandeiras são oportunistas e minoria, mas os sindicatos são sérios e discutem o interesse da classe.

  12. Caro Homero,

    Excelente texto, irreparável. O episódio revela que nossos administradores públicos preocupam-se unicamente em fazer palanque eleitoral durante seus mandatos. A administração (e suas medidas amargas) vem apenas no afogadilho, no grito e no desespero. Abraço!

  13. Não menospreze a inteligência dos servidores públicos! Saiba que todos estavam informados sobre o projeto de lei da Paraná previdência e por isso estavam no centro cívico. Os trabalhadores não estavam lá única e exclusivamente pelo chamado do sindicato.

  14. Quanto mais leio noticiários, quanto mais vejo declarações nas redes sociais, mais preocupado fico com a velocidade incontrolável da “opinião da massa” em marcha à desfiguração de valores, torcendo direitos & deveres.
    Tenho muitos amigos e parentes PROFESSORES sérios, verdadeiros educadores compromissados com a preservação dos valores sócio-religiosos-morais-culturais-políticos; valores esses que defendem o bem comum, o patriotismo, a civilidade, a família, o “viver em sociedade”.
    Tenho muitos amigos e parentes POLICIAIS MILITARES, sérios, compromissados em defender o cidadão, em preservar a segurança – leais aos princípios que juraram defender quando da integração nas fileiras da corporação militar.
    Tenho muitos amigos POLÍTICOS, defensores de ideais com ética e decência, buscando legislar favoravelmente pelo bem da sociedade organizada; – ainda restam muitos.
    O que “assistimos”: PROFESSORES, massacrados pelos POLICIAIS, orientados/ordenados pelos POLÍTICOS.
    Não acredito que meus amigos professores estão induzindo a sociedade a acreditar na solução para o descaso político à eles, seja depredar o patrimônio Publico; “quebrar a Assembléia Legislativa, invadir o Palácio do Governo. (Eu mesmo ouvi de um manifestante – acredito não ser professor- durante meu almoço na quarta feira, horas antes da “quebradeira” , que a “ordem” era quebrar tudo – ouvi a seguinte expressão: “ as 14:00 horas vamos invadir e quebrar tudo” ). Não acredito que meus amigos do comando Militar, que também são cidadãos e também tem companheiros professores, estão ordenando a “massacrar” os professores, por simples motivação desconhecida . Não acredito que meus amigos políticos, também cidadãos que tem parentes e amigos professores e militares, estão propositalmente “MANCHANDO” sua ficha política, ordenando que os professores sejam vituperados.
    Afinal, o que estamos assistindo…
    “A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade” – (III lei de Newton)
    A lógica: PARA TODO DIREITO há um DEVER correspondente.
    Uma falsa premissa é uma proposição incorreta que dá forma à base de uma silogismo lógico. Uma vez que a premissa (proposição ou assunção) não é correta, a conclusão traçada pode ser errônea. O silogismo baseado em premissas falsas é também conhecido como SILOGISMO ERÍSTICO.
    Todo professor é anarquista;
    Todo Policial é um massacrador;
    Todo Político é corrupto;

    Concluo: ” “NEM TUDO QUE RELUZ É OURO”
    Um sábio conselho bíblico de Moises: “ Não seguirás a multidão para fazeres o mal; nem numa demanda falarás, tomando parte com a maioria para torcer o direito. Exodo 23:2

  15. Homero, alguns comentários:

    1) Estou aqui por acaso. Estava no google apenas buscando o endereço da sede da Paranaprevidencia. A chamada me interessou e aqui estou. Bom texto, boa redação, parabéns.

    2) Concordo plenamente com a questão dos tetos da aposentadoria, em especial a equiparação com o INSS. Mas sempre questiono as regras de transição, pois sempre achei pouco justo dizer que “não existe direito adquirido” e o que existe “é mera expectativa de direito” quando você já está a trocentos anos contribuindo de determinada forma…

    3) Também não entra na minha cabeça a lógica (que não a financeira) de como alguém que está no gozo de um benefício (aposentado) tem que contribuir para este mesmo fundo de previdência que paga o benefício. Ou seja: instituir a contribuição dos inativos é mera forma de reduzir o valor do benefício e fim de papo. O resto é mero malabarismo teórico retórico jurídico.

    4) Por fim, uma idéia aleatória: eu tinha uma idéia de que os servidores públicos não deveriam pagar nenhum tributo e receber seu valores líquidos apenas. Injusto? Talvez. Mas certamente serviria para eles perceberem que eles são atividade meio e não geram absolutamente nenhuma riqueza para o Estado. Ou seja: que somos nós, da iniciativa privada, que custeamos absolutamente tudo, não só o salário deles, mas toda estrutura do estado. Eles não percebem que quem paga os tributos que eles pagam na verdade somos nós que pagamos (pois pagamos os salários deles).

    • A ideia do recebimento dos valores líquidos é interessante, José, mas a compulsoriedade da previdência também tem uma função social importante. É uma espécie de seguro coletivo obrigatório que favorece os indivíduos em determinadas situações desfavoráveis (veja as pensões por morte, a aposentadoria por invalidez, por exemplo). Infelizmente: 1- há má gestão da previdência pelo Estado; e 2- há desequilíbrio na concessão de benefícios no país, em detrimento dos integrantes da iniciativa privada. O rombo da previdência dos servidores é maior do que o INSS, e a proporção de aposentados na primeira é drasticamente menor do que a segunda. A situação é insustentável. Abraço, e obrigado pelas palavras!

  16. Voce disse em outras palavras que as instituições que deveriam funcionar independentemente, não o fazem. como os tres poderes. todos absolutamente todos são SUBORDINADOS ao poder executivo pois, este, tem a caneta na mão e possibilita benesses aos demais poderes, legislativo, judiciário e tribunal de contas, seja por nepotismo cruzado seja por empreguismo de filhos e parentes dos membros dos outros poderes. que moral tem um Juiz ou desembargador para decidir contra o poder executivo, se seu filho, sobrinho, esposa ou outro parente está em cargo comissionado no poder executivo por intermédio dele??absolutamente nenhum. isto se repete no País inteiro mas, no PR chega a ser vergonhoso!!!

    • Bem colocado, A. G. Loureiro. O Paraná é moderno apenas na aparência, nossas instituições funcionam muito mal

  17. Parabéns HOMERO, como sempre faço, procuro me ater quem é a pessoa que esta publicando a matéria, pela sua historia é mais um do Paraná que merece elogio pela sua vida profissional, quanto a sua publicação é exatamente o que esta acontecendo, sem visão partidaria.

  18. Homero,
    – E os 8 bi que Richa já tinha posto a mão. Era dele ou dos funcionalismo
    público, aposentados e pensionistas?
    Esse fundo seria ainda maior se o Estado cumprisse com sua parte, inde-
    pendente de qual gestão de governo que não o fez ou saqueou.
    – Marchese, gostaria que seu fundo de previdência privada que você deve ter
    (espero eu) fosse surrupiado, que o banco em que você possui sua previdên-
    cia efetuasse uma apropriação em débito (que é o fez o do Est. Pr.)
    – Comparando as aposentadorias privada e pública que é uma vergonha deste
    Pais, que tal você sugerir teto para todos os aposentado(sem distinção de
    cargo ) por exemplo, Juízes, Deputados, Governadores, Militares etc. etc.
    seria moral né?
    – Quanto ao massacre que ocorreu dia 29/04, sem comentários.
    – O que ocorre é que, urgente, mas bem urgente temos que mudar as leis
    para nós termos um Estado igualitário se não vai ficar como está, uns
    roubando , outros reclamando que querem uma fatia, uns batendo e outros
    apanhando e nós no face escrevendo bobagem. E para isso precisamos nos
    espelharmos nos professores do Paraná para enfrentarmos os dragões,
    não acha. Alguém tem que tomar a frente.

    • Moacir,
      1- A extensão do teto do INSS para todos os aposentados, sem exceção, foi exatamente o que defendi no texto. A propósito, leia o texto que escrevi sobre o pagamento de auxílio-moradia para juízes e promotores em fevereiro deste ano;
      2- Sobre o presente texto, você o leu e sabe que eu não tenho nenhuma simpatia a esse governo, mas preciso esclarecer que o governo não pôs a mão em 8 bi no começo do ano. Essa foi justamente a proposta que acabou retirada de votação;
      3- Eu não tenho previdência complementar.Pago INSS, como todo brasileiro sem prerrogativas especiais.
      Abraço

      • Homero, se o fundo extinto ja pagava os aposentados onde esta esse dinheiro agora que esses alosentados foram para o parana previdência.
        outro ponto
        Se a economia é de 125mi por mês, de onde vem se não da parana previdência?

        Toda previdência tem contribuição patronal, pq a Paraná previdência não pode ter?

        Obrigado.

        • Rui, a Paranaprevidência tem contribuição patronal, sim. O Estado tem que depositar o mesmo valor depositado pelo servidor. O que o Estado fez com a aprovação do projeto foi repassar menos dinheiro para aquele fundo que sempre esteve mal das pernas. Ou seja, o dinheiro não saiu da Paranaprevidência, mas deixou de entrar.

          • Mas o plano mal das pernas tinha um fundo, nao o suficiente mas tinha. Se o dinheiro deixou de entrar para a Paraná previdência, quer dizer que não estão cumprindo o lado patronal.

  19. Homero, algumas observações: o problema não iniciou com o Requião, mas sim com Jaime Lerner. Os que começaram o tumulto não eram anarquistas, alguns deles são meus colegas de trabalho e eu, se estivesse lá naquele dia, certamente estaria na comissão de frente. Nossa revolta seria menor se o governo tivesse ouvido um pouco mais o fórum da nossas entidades. Das 10 emendas que pedimos, o governo só acatou 2. A pressa na votação, ao meu ver, foi ignorância total. O governo deveria ter esperado um tempo maior e explicado aos servidores as medidas tomadas e não ficar fazendo campanhas com informações mentirosas, porque não somos burros, muito menos massa de manobra de sindicato nenhum. Falando em sindicatos, viva a APP e os deputados contrários ao governo, pois do contrário, no pacotaço de fevereiro teríamos perdido grande parte de direitos que conquistamos há anos! Não gosto de confrontos e nem invasões, mas alguém sugere outra medida com um governo que não senta mais para o diálogo desde ano passado?

    • Mariel, respeito sua opinião, mas não concordo com ela. A grande, absoluta, rigorosa maioria dos manifestantes não era anarquista nem irresponsável, mas havia gente assim nos protestos, e elas começaram a pancadaria. Sobre as propostas do sindicato, é natural que boa parte delas não seja atendida. Existe um governo eleito do Estado para dar a palavra final. Os sindicato – pelo menos por enquanto – ainda não governam o país. Abraço

  20. Excelente texto, sensato e imparcial.
    não é a toa que o senhor foi meu candidato, uma pena que não ganhou.

    Realmente, todos os lados estão ‘mentindo’, quando tento debater a respeito sou apelidada de ‘tucana’ , ou que ‘comprei as mentiras do Beto’ mesmo que eu não dê razão a este também.

    Complicado, ultimamente as pessoas só aceitam que sejamos ‘8’ ou ’80’ em nossas opiniões, e seu texto demonstra que podemos ter outro ponto de vista

    • Obrigado, Bianca. Quero dizer exatamente o que eu penso, quer concordem com minhas palavras ou não. Não quero enganar ninguém, assim como não gosto quando o debate público vira palco da mentira. Com honestidade de propósito nas discussões, avançaremos. Abraço

    • Correto, Bianca. Não esmoreça diante da crítica e da patrulha. Isso é o que eles querem. Fale sempre o que pensa, com clareza e honestidade. Abraço

  21. Uma observação Homero, ja na 3a feira a PM estava lançando gás de pimenta e lacrimogêneo sem nenhum sinal de tumulto ou violência doa manifestantes maia exaltadoa..ha vídeos provando isso

  22. Enquanto pessoas e grupos se pautarem em bandeiras políticas para defender, discutir ou questionar suas demandas veremos grupos estanques lutando por seus direitos sem muito resultado para a sociedade. As pessoas necessitam mais consciência política e menos partidária na hora de discutir os erros e acertos. Administrar qualquer ente público deveria ser algo muito distinto do padrão instalado que se baseia essencialmente no fisiologismo político que vemos nos dias atuais. “Políticos” trabalham em ações visando a sua manutenção na próxima eleição e isso é vendável a quem tem o capital certo.

    • Perfeito, Gustavo. Só faria um acréscimo: uma vez no poder, fica mais fácil alcançar o capital certo a que você se refere. É um ciclo vicioso de campanhas caras, sucesso eleitoral e corrupção. Abraço

  23. Quando vemos manifestações de professores que, pouco informados, deixam-se manipular por sindicatos e partidos, percebemos que o estado e o Brasil ainda tem muito que evoluir em matéria de consciência política e cívica.

  24. Este é o texto mais lúcido que leio em meses, ou até mesmo anos.
    Nesta questão, não há nenhum anjo.
    Discordo apenas sobre a crítica à atuação da PM. O procedimento seguido foi o procedimento padrão para contenção de multidões.
    O Resultado, é o esperado.
    Se haviam 20 mil manifestantes, e temos 200 feridos (a maioria atendido pelos efeitos do gás e não de ferimentos provocados por agressões “per se”) temos 1% de feridos.
    Até onde se tem notícia, nenhum com gravidade relevante.
    Então, considerando o calor do momento e a exaltação de ânimos, acredito que apesar de falha, a atuação da PM não foi de todo condenável.
    Poderia ser melhor, mas não chegou à ser uma reação “violenta e desproporcional”.

    • A reação deixou de ser justificada quando a polícia passou a atirar em todo mundo, por minutos a fio, César. Obrigado pelas palavras

  25. “A medida não provocaria inquietação se os recursos do Poder Público não fossem oriundos dos tributos cobrados da população. Como a grande maioria da população não é composta por servidores públicos, os trabalhadores da iniciativa privada, na prática, acabam complementando o pagamento dos benefícios previdenciários dos servidores.”
    Seguindo essa lógica, e falando do INSS, logo, todos os trabalhadores da iniciativa privada, na prática, complementam todas as aposentadorias do INSS do país, já que a quota patronal das empresas, é paga com as receitas das empresas, onde também estão incluídos impostos que todos pagamos.

    • No INSS, os servidores tem descontos (de 8, 9 e 11%) limitado ao teto máximo, logo, sua aposentadoria fica limitada ao teto máximo. No Paraná Previdência o desconto é sobre o que se ganha (11%), logo a aposentadoria também deve ser. No INSS também existe a contrapartida patronal. Logo nas Previdências Estatutárias, como a do PR também deve existir a contribuição patronal do Estado. Muitos municípios paranaenses, que instituiram Estatutos próprios, voltaram ao INSS, seja na totalidade de sua folha, ou seja para os novos contratados.

      • Fabiana, o argumento tem lógica. Se todo mundo socorre a previdência, quem é mais numeroso socorre mais.
        Eu gostaria que todo mundo tivesse aposentadoria integral. Mas se a maior parte da população não tem e ainda garante isso a outos, não é justo.

        • Você disse que você contribui sobre o teto máximo do INSS, eu também contribuo sobre o teto máximo do INSS. Seguindo a sua lógica de ‘injustiça’, também seria injusto se nós (eu e você) tivéssemos aposentadorias maiores do que aqueles que contribuem sobre valores menores que o teto máximo, já que todos socorrem a previdência. Ou seja, já que todos os trabalhadores da iniciativa privada, na prática, complementam todas as aposentadorias do INSS do país, pois a quota patronal das empresas privadas é indiretamente paga com as receitas dessas empresas, geradas pelos produtos e serviços que todos nós consumimos, e onde também estão incluídos impostos que todos pagamos quando consumimos esses produtos e serviços. Nesse sentido, o seu texto, que fala em especial dos estatutários, me pareceu tendencioso. Tecnicamente e financeiramente é impossível resolver o que você chama de “injusto”. As únicas saídas que me ocorrem é acabar com as quotas patronais, tanto as estatutárias como as do INSS, o que elevaria e muito as alíquotas de contribuição pagas pelo contribuinte das diversas previdências para que esses sistemas se sustentassem a longo prazo de acordo com a expectativa de vida dos aposentados/pensionistas. Ou então fixar valores de contribuição para previdência iguais para todos os brasileiros de modo que todos tivessem aposentadorias de valores exatamente iguais. Isso num país onde nem os direitos essenciais de educação e saúde de qualidade, não nos são oferecidos.

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